quarta-feira, março 08, 2006

Liderança feminina

Creio que o dia de hoje não passa em branco a ninguém. Em todos os calendários do mundo, independentemente do país, língua, raça e tradições, assinalam o dia 8 de Março como o dia Internacional da Mulher.

Nas televisões, nos jornais, na rádio, em qualquer formato, finalmente é dado protagonismo à mulher. A imprensa faz destaques sobre o "sexo forte". Títulos e notícias que colocam em relevo o papel social, afectivo, profissional e cultural da mulher.

Qualquer mulher pode sentir-se orgulhosa quando lê inúmeras histórias de sucesso, de liderança feminina. Testemunhos e legados importantes deixados e continuados por senhoras. No entanto, reparamos em parágrafos que ensombram o mito e o culto da mulher: "as mulheres concentram ainda pouco poder de decisão". (in Público) Irónico, o Governo vai obrigar à paridade eleitoral (será que uma representação eleitoral feminina mínima obrigatória de 33,3 por cento é exemplo de paridade? Pelo menos já é alguma coisa, claro!) mas temos, actualmente, duas ministras e quatro secretárias de Estado num universo de decisores políticos homens.

A realidade vai mudar, certamente. Afinal, as mulheres são em maior número na fatia populacional nacional e mundial, estão em maioria nas universidades, conquistam terreno no mercado de trabalho, enfim...

Mas quando ouvimos inconformadas e trocistas vozes masculinas dizerem "feliz dia da mulher", com um sorriso maroto e logo acompanhado de um comentário do género "vocês têm direito a um dia no ano, os restantes são nossos"... voltamos à realidade e percebemos que as mentalidades ainda estão por renovar.

Homens, deixem-se de comentários machistas e valorizem as mulheres que são tão competentes, inteligentes, carismáticas, poderosas e líderes como vocês. Não digo para venerarem o sexo oposto, mas, no mínimo, encarem-nos de igual para igual, sem protagonismos, com (a tal) paridade!

Assim, quem sabe se todos os dias não serão TAMBÉM dias da Mulher...

1 Comments:

At 10:21 PM, Blogger homesick.alien said...

só acho ridículo que essa tal paridade eleitoral seja fruto de uma IMPOSIÇÃO na lei.o lugar das mulheres na política 8tal como o dos homens) devia ser conquistado através da competência e do reconhecimento dessa mesma competência por parte dos seus pares. isso implica uma mudança de mentalidade da própria classe política, dominada pelos homens, que supostamente teria o seu impacto no resto da população através da mudança do discurso em tom condescendente e paternalista que é constantemente usado em relação ás mulheres.
também as mulheres na política deviam recusar esta OBRIGATORIEDADE e lutar sim pela igualdade de oportunidades e pelo reconhecimento das suas capacidades políticas. acatar esta lei sem a devida crítica é admitir e aceitar a tal condescendência que tanto reprovam. além disso corre-se o risco de criar 2 situações distintas, mas igualmente nefastas:
a) não havendo mulheres-políticas com competência para exercer as suas funções, serão escaladas mulheres que servirão apenas de figurino, sendo pagas através do erário público para executar funções para as quais não têm habilitação, tudo em nome da cota mínima de 33,3%. ou seja, o dinheiro do contribuinte estará a ser gasto em nome de uma lei que por muito bem intencionada que seja, pode não ter consequência prática positiva além da satisfação de algumas organizações feministas.
b) pairará sempre em volta destas mulheres-políticas a aura da IMPOSIÇÂO na lei, como se estivessem ali apenas por obrigação e não por valor próprio. ora isto cria descrédito na classe política feminina e desvaloriza o potencial da mesma, tendo a nível da mentalidade em relação às mulheres um impacto exactamente contrário àquele que se pretende.

eu acho sinceramente que um governo composto por homens e mulheres em parcelas iguais seria muito mais eficaz na condução dos destinos do país, mas não quaisqueres mulheres e homens. mulheres e homens com potencial, competência e espírito de missão, que não andem na política só para justificar números expressos na lei.

 

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