Perdido no tempo, valorizado pela natureza
São várias as histórias que ouvimos diariamente sobre as gentes perdidas no tempo. Pessoas como nós, mas que vivem num registo social, moral, pessoal e comunitário diferente.
A tecnologia quer infiltra-se em todos os lares, mas infelizmente ainda há pessoas que nem electricidade têm em casa.
Uma realidade primitiva? Gentes do século passado? Infoexcluídos? Não. Apenas oportunidades diferentes.Conhecer a história de muitas desses "martires" da contemporaneidade, porque a evolução os colocou à margem de um cenário social extravagante e sem limites, é um exemplo de vida para qualquer um de nós.
Pelas paisagens semi-destruídas pelos incêndios, entre as cinzas que a natureza cultivou numa paisagem a preto e branco, há vida além dos pedaços esmagados pelas catástrofes.
Pastores. Agricultores. Gentes rurais. Para muitos são pessoas diminutas, com poucos recursos e limitadas. Para outros, que vêm o belo muito além do limite da simplicidade, são gentes com uma riqueza incalculável, com grandes horizontes de esperança renovada e com uma jovialidade, por vezes, sulcada nos rostos envelhecidos pelo tempo.
A nossa obrigação é parar para pensar. Ir ao encontro de vidas pintadas pela dureza da vida, mas refletindo a luminosidade do sol. Não podemos circunscrever a nossa filosofia de vida ao nosso horizonte social. Se ainda houver um espaço do sempre tempo livre por preencher, ironicamente sempre aterefado, podemos vaguear por esse país fora e ir ao encontro de belas histórias.
Pessoas determinadas. Lutadoras. Que vivem da simplicidade com uma generosa grandiosidade de alma. Um dia numa pequena aldeia do interior, onde os poucos habitantes viviem em casas erguidas com pedras, aquecidos à lareira onde as brasas aquecem os alimentos da tradicional panela de ferro.
Aqui as velas não são mero objecto de decoração, como nós teimamos em usar, mas como utensílio de sobrevivência na escuridão nocturna. Nos "jardins" nascem os legumes para renovar as energias do corpo. Os talheres brilham na mesa de madeira, um metal sem brilho, mas resisitente ao passar do tempo.
A descrição não fica completa com tudo aquilo que vejo da janela do meu quarto. Uma miragem. Mas uma realidadee que conheço porque quis conhecer.
Uma sugestão. Um apelo. Uma esperança. Se vontade não houver, pelos menos, o desejo pode crescer. O contacto com uma realidade imortal completa a crise existencial de uma vida em que nada nos parece perfeito.
Moral da hsitória: Afinal, com muito pouco podemos ser demasiado felizes! Para quê complicar?
