Liderança feminina
Creio que o dia de hoje não passa em branco a ninguém. Em todos os calendários do mundo, independentemente do país, língua, raça e tradições, assinalam o dia 8 de Março como o dia Internacional da Mulher.
Nas televisões, nos jornais, na rádio, em qualquer formato, finalmente é dado protagonismo à mulher. A imprensa faz destaques sobre o "sexo forte". Títulos e notícias que colocam em relevo o papel social, afectivo, profissional e cultural da mulher.

Qualquer mulher pode sentir-se orgulhosa quando lê inúmeras histórias de sucesso, de liderança feminina. Testemunhos e legados importantes deixados e continuados por senhoras. No entanto, reparamos em parágrafos que ensombram o mito e o culto da mulher: "as mulheres concentram ainda pouco poder de decisão". (in Público) Irónico, o Governo vai obrigar à paridade eleitoral (será que uma representação eleitoral feminina mínima obrigatória de 33,3 por cento é exemplo de paridade? Pelo menos já é alguma coisa, claro!) mas temos, actualmente, duas ministras e quatro secretárias de Estado num universo de decisores políticos homens.
A realidade vai mudar, certamente. Afinal, as mulheres são em maior número na fatia populacional nacional e mundial, estão em maioria nas universidades, conquistam terreno no mercado de trabalho, enfim...
Mas quando ouvimos inconformadas e trocistas vozes masculinas dizerem "feliz dia da mulher", com um sorriso maroto e logo acompanhado de um comentário do género "vocês têm direito a um dia no ano, os restantes são nossos"... voltamos à realidade e percebemos que as mentalidades ainda estão por renovar.
Homens, deixem-se de comentários machistas e valorizem as mulheres que são tão competentes, inteligentes, carismáticas, poderosas e líderes como vocês. Não digo para venerarem o sexo oposto, mas, no mínimo, encarem-nos de igual para igual, sem protagonismos, com (a tal) paridade!Assim, quem sabe se todos os dias não serão TAMBÉM dias da Mulher...
