Traços diferentes de um mundo semelhante
A caminho do futuro... a frase já não é nova mas simboliza uma atitude, uma forma de vida que nos deixa presos a pormenores irrelevantes.
Descobri recentemente que não vale a pena fazer projectos, planear o futuro com antecedência porque, repentinamente, a vida dá uma grande volta e o ponto de partida deixa de ter o mesmo final no fim do percurso.
Caminho por entre as dunas deste mar azul e sinto-e sozinha, perdida numa areal tão diferente da areia branca que me acostumei a sentir.Vejo as rochas tingidas de negro e, de repente, sei que não estou só. Dei um passo sem ti, mas depois comecei a caminhar ao teu lado.
Percursos diferentes, pontos comuns. Olhares trocados e sentimentos comuns. Tantas estrelas entre nós, um mar que nos separa. Quando mais perto te sentia, mais longe tu estavas. Sonhar é apenas um refúgio quando afinal não te encontro no meu passeio pela praia.
O meu pensamento perde-se tão facilmente por um amor que não posso ter, mas por uma história que posso viver, pelo menos no inconsciente.
Estou num espaço cosmopolita, rodeada de betão e pessoas frias. A cidade adormeceu no tempo, estagnou. Sinto que a minha energia interior está a anos-luz desta realidade à qual não pertenço, só me encaixei temporiariamente.

Felizmente, fechei os olhos e estava novamente no meu refúgio, num recanto do paraíso... rodeada de mar e com uma extensa moldura de verde... um odor simpático e um espaço ideal para viver, reflectir e pensar em ti...
Escrevia horas a fio e no final tudo aquilo eram palavras vãs impressas num vegetal demasiado cinzento.
Horas de dedicação que via na limpeza dos vestígios do trabalho nocturno. Recortes de um passado que a cor do presente veio rapidamente esquecer.
Numa fracção de segundo aquilo que era cinza ficou multicolor, o que era estático ganhou movimento e a sala deserta de gente a trabalhar transformou-se numa multidão de mentes interessantes.
Meu deus, até eu voltei-me e os meus traços mudaram. O cabelo que esvoaçava na carícia do v
ento perdeu-se algueres, aquilo que eu era e já não sou, mas também aquilo que eu sou e sempre fui, moldaram-me por instantes, semelhante a mim, diferente do meu outro eu...Os amigos, as pessoas mais especiais, a família, tu, eles e elas, aqueles que esqueci e todos os que relembro, enfim... todos são pedaços de mim que consegui trazer comigo...
Estes pensamentos dão vida à minha existência e, se tudo mudou repentinamente, que seja apenas para eu poder ver a vida de um outro ponto de vigia...
