terça-feira, agosto 08, 2006

Simbologia da palavra. Da grafia ao mito

Escrever pode ser uma arte singular, sem parecerias nem interjeições pessoais. É evidente que este tipo de escrita é uma nulidade e de uma raridade extrema.
Acredito na força das palavras e no valor que se emprega em cada uma delas. A escrita é mensagem, é sentido e sentimento, como pode ser impessoal e imparcial?


É muito fácil escrever, é uma actividade quase primitiva da existência humana, é também uma das formas mais básicas da comunicação. No entanto, sinto que a omnipresença das palavras se perdem cada vez mais em sentido vãos. Os costumes vogais ultrapassam a ilusão poética do sentimento.

Adoro-te. Tão fácil de escrever, basta um milésimo de esforço físico na mão para que a folha em branco ganhe a cor e a plenitude da grafia e, acima de tudo, da simbologia interpretativa do conjunto uniforme de vogais e consoantes.

Mas escrevê-lo não é obstáculo nem implica nenhum grau de dificuldade. Todavia, lamento que a pena branca não nos pareça um bloco de cimento e a tinta negra não se assemelhe a uma mancha de sangue. Só avaliando o esforço e o alcance da etimologia da expressão “adoro-te” é que ela ganharia o real significado e a dimensão pretendida na mensagem.

Vamos escrever e sentir cada caracter no nosso íntimo, deixemo-nos de escritas fugazes e sem jeito nenhum. Voltemos a valorizar aquela que é uma das maiores riquezas de cada civilização: o poder da escrita.

Fernando Pessoa entoava bem alto que as cartas de amor eram ridículas, mas o ridículo não era o sentimento, sim a escrita sem razão. Assim se perde a magia, assim se ganha outra ilusão.

Amar é amar, apenas, caligrafar a expressão é senti-la antes de ser vivida na escrita, é faze-la vir da verdadeira lira grafológica, o sentimento, assim ler-se-á “AMAR” e não “amar”.
Percebam a diferença e desfrutem da magia de cada palavra. Não será o mito, será apenas “AMAR”!!!