quinta-feira, setembro 21, 2006

Quando o filme nos surpreende, para quê saber qual é o nosso destino




Na rodagem de uma cena a profundidade depende do ângulo de visão. É no encontro de dois planos distintos que sinto a minha vida ganhar forma. Pode não ser o filme definitivo da minha vida, mas é aquele que me faz prender à existência e ser feliz. Somos personagens de um filme real, sem destino, mas com vontade de vencer!


Queremos todos sentir a dimensão da amizade. Dramatizamos quando ultrapassa os limites. Sofremos quando somos condenados ao isolamento.
A solidão deixa de fria e escura. Por instantes. O brilho nocturno do olhar disfarça as trilhas sinuosas que percorro até ti. Procuro-te porque preciso de me alimentar do teu olhar, sentir-te junto a mim.

Sinto flutuar as minhas ilusões. Cubro a ficção com pinceladas de sorrisos, deixa de ser ilusão e transforma-se numa história, algo irreverente quando nem faladores somos. Calamo-nos perante o cruzamento em que habitamos, olhamos em frente e vemos apenas um caminho, aquele mesmo. Incerto. Sem fim. Com fronteiras, se transponíveis, são como precipícios, se evitadas, surgem na rota seguinte.

Não lamento o infortúnio. Não choro pelo drama. Não sei porque penso assim, apenas sei que vale a pena permitir que a chuva caia sobre um solo fértil, mas longe de ter expectativas de tratamento adequado.

Se os teus olhos claros deixassem de ser uma fonte, as raízes seriam vítimas da fugaz necessidade de alimento, todavia, jamais murchariam porque a recordação e a memória são bálsamos para a continuidade.

Não é um dilema existencial. Encaro a distância que nos separa como um sacrilégio, afinal, na tua ausência sinto-te cada vez mais perto, permaneces ao meu lado fielmente, sempre. Se estou contigo, a materialidade do tempo faz com que depressa pronuncies te-nua-mente(s) um adeus.

Sei que voltas, sei que estás ai, que os nossos sonhos não se cruzam nem caminham juntos, ao contrário do nosso desejo que permanece em dueto. A paixão esvazia-se na vida dos pobres de sentido de orientação. Na minha conduz-me ao limite da imaginação, onde me entrego com total interesse que depressa sinto-me perdida novamente.

Não são palavras ao vento. Digo-te novamente que és o realizador mais maravilhoso do mundo porque conseguiste fazer a cenografia ideal para o filme da minha vida, cada take ganhou dimensão e forma, cada corte representa um dia sem me perder em ti, as sequências conduzem-nos a um fim incerto, mas feliz.

Mostra o nosso filme ao mundo e deixa-me viajar pela existência infinita que criamos apenas para nós, num espaço singelo, mas que é só nosso. Estarei aqui. The End