"Allah hu Akbar"
"Deus é o maior"! Estas são algumas das palavras de ordem em mais um acto violento de condenação áos célebres cartoons satíricos do profeta Maomé. No centro da actualidade informativa desde a publicação no jornal dinarquês, os confrontos que se seguiram deixam muitas dúvidas no ar...
Teremos nós, de facto, o direito inviolável à liberdade de expressão? Certamente, enquanto valor democrático, que sim.
Poderemos nós criticar práticas relegiosas e culturais diferentes do rigor do noss
o quotidiano? Certamente não.Agora ironizar, satirizar, ser irónico, todos sinónimos de um gesto que pretende colocar-nos um sorriso nos lábios, certamente que esse é um direito que também nos assiste.
A polémica instalou-se. O motivo, todos os conhecemos: alguns desenhos irónicos envolvendo o profeta Maomé, o terrorismo e os bombistas suicidadas. A comhunhão do gesto solidário da imprensa europeia de referência também publicar os cartoons, levou a um encrudescer das reacções de protesto.
As dúvidas que persistem são mais que muitas. Se em causa está a defesa de um Deus, de um Profecta, de um Messias, porque é que os homens, cristãos ou muçulmanos, islamistas ou budistas, agem contrariamente a esse Deus para defenderem o mesmo Deus?
Seria irónico, do meu ponto de vista, um serial killer vir defender o mandamento "Não matarás", ou um ateu defender religiosamente a missa dominical. Ora, se o Deus (entenda-seaqui como conceito genérico e uniforme de todas as referências aos supremos divinos das várias religiões) é adorado, protegido, defendido e amado, uma referência espiritual para os crentes, faria todo o sentido evitar a violência, preconizar o amor, a paz, a hormonia entre os povos. Claro, acreditando que esse é o fio condutor de qualquer entidade e crença religiosa.
Obviamente que não é esta a questão central em discussão. Mas acho que valia a pena reflectir sobre um ponto de vista diferente.
Devemos, contudo, compreender, ou pelo menos tentar, a indignação do Islão. Afinal, a Igreja Católica também reagiu de forma rígida, embora não violenta, a várias publicações e arte crítica do catolicismo. Claro que compreender não significa aceitar, apenas vermos os dois lados da questão e não nos inflenciarmos somente pela opinião ocidental.
