domingo, junho 15, 2008

O Renascer... do Mar

Um ano depois...

eis-me aqui novamente... a sentimentos que nunca esqueci, a palavras que sempre ecoaram em mim, a pedaços que transcrevi e só o mundo o pode interpretar.



Desejar algo com toda a nossa força é o percurso completo de uma etapa dificil, a meta é mesmo fazer o impossível para que se realize.

No recanto puro e intransponível onde me recolhi, conquistei forças para ultrapassar emoções que me arrebatavam por inteiro. Aqui despedi-me de todas as loucuras e insanidades, precisava de viver em conformidade com o cenário mágico onde as fadas me depositaram.



Apenas duas cores passaram a dominar os meus dias, o verde intenso da esperança e o azul celeste da tranquilidade. Deixei a serenidade tomar conta de mim, alhiei-me do mundo cinzento que me perseguia, venci, com todos os créditos, as forças vis que, fugazmente, ainda me deixavam absorta nas recordações do passado.



Nas imagens da realidade actual, nas palavras factuais e na ferocidade da contagem decrescente... repousei. Não podia vencer esta causa, valores mais altos se impõe na conquista de uma ambição. Sonhar é sempre a melhor garantia para o sucesso...



Deixei que os pós mágicos tocassem o meu horizonte e afinal o infinito do além tornou-se tão distante e tão redondamente fechado. Não foi a esperança que perdi, não foi a tristeza que me dominou, também não foi a má sorte que me ofereceram...

Ironicamente, o condicionamento e as fronteiras intransponíveis transformaram a minha vida num reduto de felicidade e plenitude.



Nunca deixarei de sonhar e desejar sempre mais nos meus dias, afinal a perfeição não se alcança e eu preciso de muito mais, principalmente na concretização profissional... Mas o paraíso já me ofereceu a melhor recompensa pelo meu esforço: TU!!!



O mar trouxe o meu desejo personalizado no ser mais perfeito que conheço. Tive a sorte de te encontrar, fui feliz ao permitir que olhasses a vida do mesmo prisma que eu, fomos bem sucessidos quando olhamos os dois... um para o outro.



Eis aí a razão de um ano de interregno nas minhas divagações pelo meu eu mais poético e perfeccionista...

Deixei o tempo passar, sequei as lagoas dos meus tormentos, busquei os meus próprios rios de felicidade. Ultrapassei as tristes recordações de momentos especiais do passado e emergi num cenário idílico, onde um cavaleiro dócil e meigo me aguardava.

Foi durante estes meses que saí a galope no "Zeus" que percebi que a cada dia o solo era mais consistente, a terra mais firme, o sol mais brilhante, a noite mais bela, o meu sentimento mais forte...



Tantas vezes escrevi sobre momentos únicos e sentimentos nobres que as palavras se moveram e ganharam vida. A vitalidade dos meus dias e o sorriso de felicidade da minha existência neste mundo circular tão longe do meu mundo real, agora tem um nome próprio... e Deus queira, eterno!!!

sexta-feira, junho 08, 2007

Traços teus que me transportam para fora do Limite

Não há amarras que me prendam a um passado cheio de glória e alegrias, mas pré-existe um presente que me lança nas aventuras mais ousadas, um olhar que arrebata qualquer pedaço da minha existência...

Deixar o sol invadir o espaço da sombra e da solidão pode, muitas vezes, ser uma fonte de luz demasiado forte, incontrolável, na qual nos deixamos enlevar pela presença desse calor.
Perder-me no instante seguinte em que encontro o meu auto-controlo, não é fácil...

Um doce e leve toque faz tremer este meu mundo, balanço com tanta facilidade que o horizonte e os meus limites depressa se desfazem e o nevoeiro desaparece.
Sinto-me a navegar num mar onde não vejo a ondulação, entrego-me a força das ondas sem me aperceber... esqueço a fronteira entre o ético e o sensato e liberto-me nesta praia onde me delicio com a suavidade e ternura do enlaçar dos teus dedos.

Quero controlar o impacto forte que os teus olhos têm sobre mim, mas não tenho forças, perdi-as algures, num lugar onde sorri contigo... e para ti!
Quando estou perto de ti sinto que o mundo gira muito mais depressa e não quero que o tempo siga o seu rumo, prefiro que ele interrompa o seu movimento e imortalize cada instante vivido na tua presença.

Mas como não posso ser ter esse poder sobre as forças humanas e naturais, termino por aproveitar cada instante e guardar tudo aquilo que a vida permite que me dês... guardo para sempre recordar e para ser testumunho desses laços de ternura e romantismo com que deixei que a vida me presenteasse.


Contigo acabei por acreditar que ... Não podemos definir o Hoje, mas podemos sonhar com o Amanhã.... afinal, só depende de nós!

terça-feira, abril 17, 2007

Laços que perduram...

Quando nos sentimos perdidos e abandonados, com aquela sensação de que as trevas se abateram sobre a linha do nosso horizonte, eis que surge uma luz. Uma luz que deixa transparecer uma lágrima de emoção, não de saudade e distância, mas de alegria e proximidade.
Os humanos têm essa capacidade, ver a luz ao fundo do túnel mesmo quando o caminho até à luz é ingreme e turbolento.

Não há prazer no sofrimento, em nenhum caso, pior ainda quando quando se associa ao desespero da saudade e o peso da distância.
Sei que estão sempre desse lado, que a qualquer momento sorriem e fazem ouvir a vossa vós para me reconfortar, mas o oceano é grande demais... as águas fazem desesperar quem se aventura nelas... mas enfim, onde quer que esta viagem me leve, sei que existirá sempre um regresso para o vosso regaço.

Mas até neste percurso em que vagueio, errante, desperto para a magia de te ter ao meu lado, mesmo que seja por breves instantes, sei que estás aqui e que posso partilhar contigo belos momentos de alegria.

Deixo-te por momentos porque sei que tens que voltar ao teu habitat, não pertences a este local onde depositei as minhas esperanças, mesmo que algumas frustradas... Não podes permanecer, eu sei...

Mas sei que voltarás sempre que eu precisar, sempre que eu chamar por ti... isso é o que importa, ter-te sempre aí... prestes a voltar aqui...

Olho para as nuvens e vejo-te descer. Estagno aqui a observar a tua descida luminosa.... mas também aqui fico para te ver voar para o lugar de onde partiste... Leva-me contigo, eu estarei sempre aqui...

sexta-feira, março 09, 2007

Fragmentos de um passado

Todos os dias recordamos pequenos pormenores que nos fizeram felizes, momentos que passaram por nós e nos deixam saudade. Mas são os momentos ou as pessoas que ficam na nossa memória?

São pormenores que não fazem sentido, mas que alimentam um percurso feito de oscilações , sonhos e promessas que nunca foram ditas...
Já não me sinto uma estranha neste mundo que não me pertence, sinto que depressa encontrei laços que foram fortalecendo com os dias.



São planetas paralelos, distantes, mas com uma força gravitacional tremenda que a aproximação é inevitável. Nesta estrela em que repouso o meu olhar, encontro a luz que ainda me faz girar em torno dos meus pensamentos. Não posso permitir que essa memória se apague porque é ela que me faz continuar o meu percurso pelo universo.

A distância física entre nós pode aumentar... o eclipse lunar pode encurralar-me na sombra, deixar-me na pnemunbra e separar-me de ti pela imposição de um outro planeta entre nós... Só depende de mim ter forças para continuar a vaguear pelo negro do universo.
No meu percurso, senti necessidade de interromper a viagem e parar por instantes. A solidão assusta e a distância sacrifica quem vive das emoções.
Flutuei até aqui, deixei-me ficar porque o verde e o azul petrificaram-me e obrigaram-me a ficar... por instantes, é certo, mas o tempo suficiente para redescobrir o sentido da vida!

Novos sorrisos, novos gestos, novos laços... um sentimento semelhante. Importa querer fugir porque que sempre que me distraio descubro um porto de abrigo para secar as minhas lágrimas.
Posso deliciar-me com o novo sorriso que descobri.... mas não são tudos ilusões?

Claro que sim. Eu jamais conseguirei ficar neste pedaço de mar muito tempo, porque aquilo que me une ao tal planeta distante é forte de mais para encontrar um outro rumo. Não deixo de viver de recordações, não quero afastar-me de uma felicidade proibida, de um sonho que não é mais que uma ilusão e de um passado que nunca se vai afastar do meu presente...

Estarei sempre onde estiveres, mesmo que não passe de um pormenor, de uma recordação ou de um sonho guardado num canto qualquer da tua alma.

Para onde eu for, independemente de tudo, irás sempre comigo, nunca te esquecerei, mesmo que a vida nos tenha cruzado de uma forma tão finita e incerta...
Até porque o dia em que te conheci qtive logo a certeza que nunca te esqueceria!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Traços diferentes de um mundo semelhante

A caminho do futuro... a frase já não é nova mas simboliza uma atitude, uma forma de vida que nos deixa presos a pormenores irrelevantes.
Descobri recentemente que não vale a pena fazer projectos, planear o futuro com antecedência porque, repentinamente, a vida dá uma grande volta e o ponto de partida deixa de ter o mesmo final no fim do percurso.

Caminho por entre as dunas deste mar azul e sinto-e sozinha, perdida numa areal tão diferente da areia branca que me acostumei a sentir.
Vejo as rochas tingidas de negro e, de repente, sei que não estou só. Dei um passo sem ti, mas depois comecei a caminhar ao teu lado.

Percursos diferentes, pontos comuns. Olhares trocados e sentimentos comuns. Tantas estrelas entre nós, um mar que nos separa. Quando mais perto te sentia, mais longe tu estavas. Sonhar é apenas um refúgio quando afinal não te encontro no meu passeio pela praia.

O meu pensamento perde-se tão facilmente por um amor que não posso ter, mas por uma história que posso viver, pelo menos no inconsciente.

Estou num espaço cosmopolita, rodeada de betão e pessoas frias. A cidade adormeceu no tempo, estagnou. Sinto que a minha energia interior está a anos-luz desta realidade à qual não pertenço, só me encaixei temporiariamente.
Felizmente, fechei os olhos e estava novamente no meu refúgio, num recanto do paraíso... rodeada de mar e com uma extensa moldura de verde... um odor simpático e um espaço ideal para viver, reflectir e pensar em ti...

Escrevia horas a fio e no final tudo aquilo eram palavras vãs impressas num vegetal demasiado cinzento.
Horas de dedicação que via na limpeza dos vestígios do trabalho nocturno. Recortes de um passado que a cor do presente veio rapidamente esquecer.
Numa fracção de segundo aquilo que era cinza ficou multicolor, o que era estático ganhou movimento e a sala deserta de gente a trabalhar transformou-se numa multidão de mentes interessantes.

Meu deus, até eu voltei-me e os meus traços mudaram. O cabelo que esvoaçava na carícia do vento perdeu-se algueres, aquilo que eu era e já não sou, mas também aquilo que eu sou e sempre fui, moldaram-me por instantes, semelhante a mim, diferente do meu outro eu...

Os amigos, as pessoas mais especiais, a família, tu, eles e elas, aqueles que esqueci e todos os que relembro, enfim... todos são pedaços de mim que consegui trazer comigo...
Estes pensamentos dão vida à minha existência e, se tudo mudou repentinamente, que seja apenas para eu poder ver a vida de um outro ponto de vigia...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Mar de palavras

Escrevo no azul do céu a transparência de um discurso que me sai da alma. Das profundezas do meu espírito saem centenas de caracteres que exprimem o que sinto.
Deixo o meu inconsciente usar a tinta persistente, aquela que nem a passagem da nuvem conseguem apagar, não se desfaz, e todos os dias o céu nocturo exibe a minha linguagem.


A luz prateada e cintilante que brilha na noite escura não são mais do que palavras que te dedico, cada estrela traz uma história, uma recordação, um momento... Cada constelação transporta uma filosofia de vida e delicio-me a segredar às minhas confidentes momentos que só eu e tu conhecemos e sabemos que existem.

Prefiro olhar a lua e esvaziar os meus pensametos, nela depositando todos os meus sonhos, vivências, angústias e esperanças. O contexto em que partilhamos os nossos sentimentos assim o obrigam. Não conheço os limites do amor e de amar-te.

São fragmentos do meu ser que deixo flutuar na reminescência de mim mesma. Vagueiam sem rumo pelo disperso espaço do universo, a galáxia habitável vai encolhendo com o peso das minhas histórias.
Olho as estrelas cintilantes e vejo a luminosidade do teu olhar, nesse brilho perco imediamente a minha orientação.

Os reflexos do calor das noites mágicas, rompido o escuro da noite com a irrequieta luz da flor de lotus, estremecem cada nervo, e se eles são aos milhares, imagina a repercussão que eu sinto deste lado.
Quero perder-me novamente nesses instantes únicos, deixar que a minha alma capte a tua suave temperatura, o teu doce toque...

Não quero viver se não puder ter novamente esse momento, se não puder escrever mais uma história do nosso romance em outra estrela.
Sou feliz por te ter neste planeta comigo, os teus raios de calor aquecem o mundo onde vivo e a tórrida luz do teu sorriso fazem florescer as pétalas das flores onde me deito..
Não vivo só neste mundo porque sei que te tenho perto de mim, não importando onde realmente estás, apenas da recordação e da leitura desses momentos se vive. EU vivo assim... apenas porque sou assim...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Ponte sobre o Oceano

Continuo a pensar que ingressei numa grande aventura. Afastei-me de mim mesma e, durante seis meses, vou vestir a pele de uma outra personagem, de uma outra pessoa. Sou um ser diferente, menos sorridente, mais melancoolico, semelhante a quem deixei ai, mas com menos cor.

Para superar a angústia da solidão, que me consome noite após noite pela tua ausência, revivo cada segundo que habitei contigo um planeta distante e maravilhoso: o nosso mundo! A tua recordação é a energia que preciso para ter forças para continuar.

Ouvir a tua voz tem sido o bálsamo mais rejuvenescedor que conheço, a tua alma alimenta-me, o teu carinho é meu apoio sentimental e a visão do teu sorriso a minha esperança num reencontro próximo.

Continuo a querer ter-te ao meu lado, não só agora, mas sempre. Desejo ardentemente sobrevoar cada nuvem bem junto de ti. Sinto as estrelas mais perto, a lua mais brilhante, o verde mais intenso, a água mais transparente, o mar mais azul, mas a minha alma mais triste, mais cinzenta e desesperadamente saudosa.

Não posso pedir-te para largares tudo e vires ao meu encontro (mas sou tão mazinha que já o fiz, enfim, o meu coração fala mais alto que a minha racionalidade), mas saberás, a cada momento, que permaneces junto a mim sempre, construi uma ponte sobre o oeceano para permitir os nossos encontros, mesmo que tão imaginários, mas não menos belos, que a linha do horizonte.

Sempre aqui... longe do teu olhar, mas sempre perto do teu coração....

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Utopias

A transparência opaca do nevoeiro não me permite ver além da minha sombra no espelho. As gotas da água da chuva escorrem pela minha alma e desenham formas irregulares na minha mente. O pôr-do-sol dourado na linha do horizonte avisa-me que devo partir, chegou a hora. Para quê continuar à espera....

Entro na limusina preta que me espera à porta de um castelo. Não veio a cavalo, mas o meu principie espera-me e recebe-me o sorriso mais encantador que conheço. Flutuo nos seus braços noite dentro.
Ao longe, o que me parecem frágeis relâmpagos a clarear o negro da noite, não são mais que singelos flashes das objectivas que tentam captar o meu percurso.

Ser uma escritora que vende milhares de livros pelo mundo inteiro e inspira as imaginações mais adormecidas desperta a curiosidade dos fãs das revistas de cordel.
Ao subir a passadeira vermelha que me conduz à minha noite de glória, acompanhada pela estrela mais brilhante do meu mundo, tu, sinto que as luzes dos archotes e a admiração dos olhares cruzam o meu instinto como flechas.

A tua mão segura-me pela aventura deste sonho. Como é mágico saborear o poder dos sonhos. O Castelo onde me foste buscar não é mais que a minha casa, um local perdido na vastidão da cidade, os flashses são apenas o reflexo das estrelas, a passadeira vermelha o jardim onde passeio contigo e os olhares desconhecidos sobre mim espelham apenas a curiosidade de alguém que encontra uma sonhadora como eu.

Não me vens buscar numa limusina mas continuas a ser um príncipe, mão tenho uma mansão, mas nem preciso, onde quer que esteja contigo depressa é um castelo de sonhos e os livros vendidos, meu deus, não passam de meros pensamentos que continuo a transmitir, a esse mesmo mundo, mas através destas palavras.

Vagueio pela noite dentro e continuo a sentir-me diferente, não por ser essa estrela, mas porque sonho com essa estrela e sonhar continua a ser a inspiração para uma vida, a minha vida.

Se os sonhos não se entregam embrulhados como se de presentes se tratassem, resta-me a compensação de os manter dentro de mim e viver para eles. É por isso que imortalizo a minha frase “A minha realidade é uma ilusão, onde o sonho é uma forma de vida”

Vale a pena sonhar e viver num castelo de sonhos. As utopias.... essas só existem na vida dos fracos.... que não têm força para viver pelos sonhos, lutando e exigindo a transformação desse sonho na doce realidade!

quarta-feira, novembro 22, 2006

Pecado da existência

Conhecer os limites das nossas aspirações... certamente que não, são infinitos. Apenas devemos deixar respirar a vida e senti-la, a vida, pulsar no nosso coração. Um gesto simples, viver, não deve ser complexado com atitudes e pensamentos menores.

Temia percorrer cada centímetro deste chão que me levava até ti... Sentia uma dor interior poderosa a invadir-me letalmente cada vez que surgias no meu pensamento. Não podia permitir que o meu Eu aspirasse a algo mais que um olhar descomprometido.

O perigo desse lugar que esperava alcançar era tão elevado que me ele próprio me incentivava a continuar. Viver no limite é uma sensação vertiginosa, mas indescritível.
Á medida que caminho sinto-me cada vez mais presa por um fio, contudo, esse é o um fio de um laço que fortalece a cada dia que passa e, de repente, já estou na outra margem e sinto-me liberta, tranquila.

Olhar o pecado não é um dilema ilícito, talvez antes uma grave perturbação de um espírito, até agora, esvoaçante... Mas permitir alcançar esse pecado e torná-lo no ingrediente mais eficaz desta existência, é um fruto proibido que alimenta o meu ser.

Não há limites para amar, para viver, para criar, para imaginar. Nunca. Nem eu permitiria agora que renasci para a vida. Nesta nova fase acredito apenas num lema: vale a pena sonhar!!!

A Sociedade Civil não está ainda preparada para entender o poema que é a minha vida, não por ignorância, mas por incapacidade de interpretação livre de preconceitos e ideias pobres.

Respirar para viver pode ser um princípio verídico na Medicina, mas para mim, fugaz mortal de um mundo sem cor e rosto, a única chama que alimenta a vida vem de dentro, do lugar do sentimento, da substância que me permite amar e sonhar.

Este é um grande ensinamento que aprendi com um sábio, um mestre na descodificação dos símbolos e com o dom apurado de descomplexificar aquilo que não pode ser complicado por natureza: a VIDA! Obrigada a ti...

terça-feira, outubro 31, 2006

Por caminhos paralelos ainda há vidas que se cruzam

Tantas vezes penso porque é que caminho sozinha num jardim com centenas de rostos perdidos e vazios de expressão. Piso as folhas do Outono e tenho a percepção de que o tempo parou para aqueles seres, agora, inorgânicos, e no entanto, alheios à vida monótona dos presentes.

Descubro vontades reprimidas em cada rosto, frustrações levadas ao limite em olhares ausentes de vida, resignações pelo alcance do espírito, tão reduzido ao infinito do nada.
Piso a relva fresca, olho as flores em volta, neste jardim, apenas as plantas respiram de felicidade e deixam brilhar a alma.

Tantos rostos. Tantas pessoas. Tantos destinos e tão poucos olhares felizes. Começo a pensar que escolhi o local errado, que não devia estar ali. Que aquele chilrear é uma ameaça à meditação das gentes despidas de emoção. As cores vivas são um atentado contra a filosofia de vida cinzenta de todos eles. Os sons da água e do vento são sombras no passado de quem perdeu a magia dos sentidos.

Mas que mundo este. Que olhares perdidos. Que rostos infelizes. Aqui sinto-me seriamente deprimida, é fácil deixar correr as lágrimas no meu rosto perante um cenário de desolação. Agora percebo como é que num local de seca interior a relva permanece fresca. Afinal, este é o santuário dos infelizes, das pessoas que depressa perderam a capacidade de sorrir.

Pobres seres que não conseguem já distinguir o azul da vida do dia, do negro da depressão nocturna. Todos partilham laços de insignificância comuns, alheios ao mundo, aqui descobrem o local do nada, o espaço do vazio, o tempo da vida perdida.

Atravesso a ponte e corro para ti. És o único rosto capaz de exprimir um sorriso, capaz de mover montanhas com a força do teu olhar. Encontrei-te aqui, neste jardim, onde não pertences, o teu lugar é longe daqui, é naquele outro onde a felicidade se distribui em pacotes de guloseimas.

Leva-me daqui. Afasta-me deste mundo que me quer roubar o sorriso e quer colocar uma pedra no meu eu mais profundo, onde só o amor pode viver. Liberta-me deste sentido sem existência e transporta-me para o teu universo, onde acredito no impossível, onde o possível é estar ao teu lado.

Agora que sorrio, que vivo com as cores da felicidade dentro de mim, relembro aqueles rostos e volto lá, não para os observar de novo, isso era suicido, mas para os libertar daquela apatia, devolver-lhes a vida que perderam algures e oferecer-lhes o meu sorriso de apoio.

Um gesto simples, mas crucial para o despertar desta gente. Acredita, meu anjo, um gesto possível porque, naquele jardim, encontrei-te e corri para ti, porque abriste os braços e recebeste toda a minha alma. Agora sorrio e ofereço sorrisos, por ti e para ti.
Vives e deixas-me viver a mim, dependo de ti, e só assim, poderei ajudar quem ainda vagueia perdido, perdido no local onde o tudo é nada, e onde o nada se transforma agora em tudo.

Chegaste até mim e a minha vida mudou. Dois destinos paralelos se cruzaram, duas vidas se uniram na ilusão, resta o futuro de um sonho e a vida num cenário de imaginação, possível na mente, inverosímel na acção.